O desejo é uma fonte de satisfação. Torna-se uma tensão em direção a um fim. Pressupõe carência, indigência, penúria, pobreza de espírito.
Em nosso estado ainda deparamos com muitas coisas desconhecidas e muitas delas esquisitas.
Olha só essa! Andando pela Baixada maranhense em tempos idos, em lugares que ainda não dispunham de energia elétrica; muitos sítios, chácaras, regiões muito convidativas para um passeio, um recreio, piquenique ou pernoitar se quiser.
Muitos ambientes com criação de aves, inclusive um urubu no meio das galinhas, já bem familiarizado com esses “amigos”.
Aí, se perguntou o porquê daquele bicho preto vivendo no meio de galinhas, patos, galos, capotes...
Falaram que o motivo era um só: “Tem mulheres grávidas que sempre desejam comer carne de urubu”. O nome científico do bicho é Sarcoramphus papa, que se alimenta de carniça; ele não canta, não possui seringe (órgão vocal das aves). Ao invés de cantar, ele crocita (grito dos corvos).
Pois não é que a mulher insistiu com o marido que queria por queria comer carne de urubu, dado à sua gravidez! Aliás, bastante duvidosa para saber quem era o pai verdadeiro.
Então, o maridão foi até a casa de sua mãe para consultá-la: “Mamãe, eu não quis dar carne de urubu pra minha esposa quando ela estava grávida e sentiu desejo. Agora meu filho nasceu preto como o bicho!”.
A mãe, bem disposta de ânimo, consola o filho que está em prantos.
- Esquenta não, filho... Quando eu estava grávida de você, tive um desejo enorme de comer carne de boi, não consegui. E você nasceu com chifre e nem percebeu.
Como bem sintetizou Stanislaw Ponte Preta: “Se o Diabo entendesse de mulher, não tinha rabo e nem chifre”.
Azar está nas mentes das pessoas. Agora, comer carne de urubu deve ser como comer carne de rato assado. Mas diz um velho adágio popular: “Certas mulheres têm o estômago de urubu”. Que deguste o seu desejo, com cuidado somente com a cor do bacurizinho que vai nascer.
E para não ter mais dúvidas, hoje, em quase todos os lugarejos da Baixada, tem energia elétrica. E para completar, tem o exame de DNA, para colocar e dirimir quaisquer incertezas do danado nascido.
Edição Nº 14334
Tudo na vida acontece
Nelson Bandeira
Comentários