Nelson Bandeira
Tinha firmado um compromisso comigo mesmo que nunca mais teceria comentários que envolvessem o nome URUBU, em detrimento ao mal entendimento quando textualizei a narrativa de que este animal se alimentava de pequi, mas não afirmei que era cru, e sim, o estado da casca em decomposição, pelo qual seria o caminho da lógica.
Bom. Deparo-me com o comentário sobre uma lei que está sendo aprovada para matança desses animais nas proximidades de aeroportos; com isso, ajudaria na segurança de passageiros e tripulação das aeronaves nos procedimentos de pouso e decolagem.
Mas o que veio à tona foi a altura que esse animal pode atingir. Um, por ser piloto, disse que o urubu voa bastante alto e fica em certas ocasiões dentro das nuvens, causando pânico para a aviação.
O outro retrucou, dizendo que só se forem os urubus que moram no estado do Pará - região onde ele trabalha e que voa tão alto assim, ao ponto de cometer um abalroamento de um avião com o bicho da capa preta.
Aí fica o dito pelo não dito. Mas vamos esclarecer esse imbróglio, contando e historiando um pouco dessa teimosia e da imaginação dessas figuras cheias de controvérsias.
Na realidade, esse tipo de ave, chegando a uma carcaça, tem uma excelente visão e é capaz de encontrar objeto de até 15 centímetros, distante a 2.500 metros! Outro recordista é o Ganso-indiano, capaz de atingir quilômetros. Ele foi visto, segundo a história, voando acima do Monte Everest, na cordilheira do Himalaia, com 8.848 metros de altura. Então, é possível que o urubu faça um percurso bem acentuado.
A verdade é que o urubu se alimenta de animais mortos, mas, também, tem a sobremesa, degustando pequenos roedores, sapos e lagartos. Tem uma sobrevida entre 8 a 12 anos, para morrer e servir de banquetes para outros colegas urubus.
Mas a discussão é assim mesmo. O teimoso é aquele que acha estar certo e pronto! O imaginário vive do sonho e da suposta visão!
Certo que esse animal é cheio de controvérsias ao ponto de se dizer: "O diabo faz a panela, mas não faz a tampa". Ninguém viu ainda urubu morto de morte morrida. A mesma coisa você ter assistido enterro de anão. É uma incógnita.
Por isso merece o verso: Urubu, que voa que passa/ Não é nenhuma ameaça/ Não caça, nem faz desgraça. Seu banquete é de carcaça".
Portanto, para os dois teimosos: VOA URUBU, VOA!
Edição Nº 14546
Teimosia e imaginação
Nelson Bandeira
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