Nelson Bandeira
É isso mesmo. Vamos até uma pista de atletismo, localizada à margem da avenida do
aeroporto local. Constantemente usada pela manhã e à noite pelos interessados em
manter a forma do corpo, da saúde, enfim, o exercício físico que faz parte do dia a dia dos amantes dessa atividade.
Nestes dois períodos, os quero-queros, como ave símbolo do local, começam a fazer sua sinfonia, no seu habitat natural.
E, talvez por ironia do destino, os transeuntes, quase unânimes, íntima e sigilosamente, murmuram "quero-quero ficar em forma", melhorando a saúde, o diabetes, a pressão alta - tudo proveniente com a perda de peso.
É muito simbólico se deparar com certas figuras e ouvir certas estórias que, por sinal, falam tudo, como se fossem um momento de plena confissão verbal. E os quero-queros continuam assoprando sua flauta cheia de alegria e tristeza vaga, atingindo a melancolia da tarde e, por que não dizer, da manhã também.
Muita gente carregando um bucho descomedido, estando mais para "baiacu" do que para cristão. A tendência destes é fazer uma videolaporoscopia, como forma de redução intestinal, caso contrário os quero-queros vão cantar até perder o fôlego, e não vai resolver problema algum.
Outros andam de pernas abertas como se estivessem carregando um cacho de coco babaçu, com aquela respiração ofegante, mas "quero-quero diminuir o meu peso" - esse é o refrão.
Uns andam tão devagar, parecendo que estão carregando um peso de 50 quilos em cada calcanhar, com aquela abrição de boca, como se estivessem comido uma jaca toda. Aí, amigo, não tem saúde para aguentar esse rojão.
Olha ainda certo papo, quando chegar em casa vai comer aquele cuscuz de arroz, bem melado com manteiga real... E, por fim, uma saborosa abacatada. Assim que muitos querem ficar fisicamente bem?!
Os quero-queros continuam com sua musicalidade, desfilando garbosamente, com seu corpo atlético, para certificar-se que o exercício é fundamental... Dependendo do comportamento de cada um.
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