Nelson Bandeira

Numa quarta-feira de agosto de 2013, fomos com alunos e professores de uma instituição de ensino para entregar vinte cestas básicas, que o corpo discente arrecadou junto aos seus familiares, num asilo localizado na cidade de Imperatriz.
Quando me deparei com o espelho humano exposto naquele quadro que visualizei, senti aquela cena intrigante de uma solidão marginalizada que martirizava copiosamente os corações daqueles velhos, que a família desenhou com a pureza da maldade, e o retiro final de suas vidas, como se fossem uns verdadeiros SARRAFOS HUMANOS.
A dor tão doída da separação, que os lábios daqueles hóspedes desconhecidos pela própria família tremiam de tanto desgosto.
A desilusão de muitos é tão grande ao ponto de pedir para quem a visita para levá-los novamente ao seio de suas famílias e ao patrimônio que construiu com tanta esperança de ser colhido, também, como o teto e guardá-lo (a) como moradia para sua eterna velhice.
O alimento que mais falta a eles/elas, pelo que notamos, não são os nutrientes para manter o metabolismo de um organismo vivo, não; mas a carência, o afeto, o respeito, a dignidade, a valorização, que foram jogados às traças pelos seus familiares, talvez, salvando-se alguns, com raríssimas exceções.
Diante daquele quadro melancólico, pensei e disse para mim mesmo: “Sempre achei a vida tão pequena, até para cuidar da própria respiração de independência e usufruir da concessão que a vida nos proporcionou”.
Naquele criatório de vidas humanas e desamparadas familiarmente, sintetizei: “Que a única maneira de conhecer uma pessoa é amá-la sem esperança, pela desafeição que cometeram e a cometem”.
Eles que geraram gente e colocaram no mundo e constituíram famílias, esquecendo-os intempestivamente, seus valores históricos e hoje combalidos pelas traças do próprio tempo.
É por causa disso que, quando você confronta-se com a ilusão de alguém, essa pessoa pode passar a te “odiar”, porque ela encara você como alguém que está tirando dela seu alimento emocional.
Finalizando este contexto, sentindo que só machuca um pouco saber que as coisas continuam as mesmas para você e que não mudamos nada de fato... E nós hoje, somos os mesmos de outrora.