Nelson Bandeira
Existem muitos fatores que podem causar inchaço nos pés. Mas esse pé-inchado que se chama atenção é proveniente mesmo do alto consumo de cachaça, ou seja, o dependente, um vício tão preocupante quanto qualquer outra droga.
Vejamos: Deus é poderosíssimo - só deu um estômago, senão deixaria dois estômagos para os pés-inchados. Esse time não tem pena dele, não. Ainda dizem que não são cachaceiros. “Cachaceiro é quem fabrica”, dizem, “somos apenas consumidores”.
Os sábios falam que o álcool é o maior inimigo do homem, mas o homem que não enfrenta seus inimigos é um covarde – por isso que o cemitério te espera mais cedo.
Bom. No Estado do Tocantins tem um povoado chamado Beira da Morte. Tem um número altíssimo de pés-inchados.
Tem um botequim que quando amanhece o dia já tem meia dúzia deles sentados na calçada, para tomar o primeiro café alcoólico – é incrível a dependência dessa água-benta que desce queimando feito brasa.
E o pior de tudo, os pés-inchados são metidos a letrados. Chega um pinguço, finge ser professor de português, e pede para o dono do boteco uma dose de “gramática”.
Certo que o dono do botequim estudou um meio de ser menos cansativo no senta-levanta para atender aos pés-inchados.
O que ele fez! Mandou torar um pé de jatobá e construiu um barril para depositar o precioso “chora no pau”, e adaptou uma mangueira fina com uma torneira para abrir e fechar a passagem do líquido.
Quando o pé-inchado pede 50 centavos de leite da mulher amada, o dono do botequim pega a mangueira e manda o bêbedo abrir a boca, abre a torneira, na hora que faltar o fôlego, fecha a torneira.
Com uns 20 minutos após, o pé-inchado está estatalado na calçada curtindo sua embriaguez... Aí entra em ação o Samu: um operário do botequim com um carro de mão para levá-lo até sua morada. A única contraindicação é que o bicho fica com os olhos vermelhos igual “burra parindo”.
Mas a criatividade é que nos chamou a atenção! Filosofando a frase de Amphis: “Bebe e diverte-te, pois nosso tempo na terra é curto e a morte dura para sempre”.
Eu num tô bebo não. Tô bom, porra! Deixa eu tomar só mais uma torneirada!
Égua, ti!
Edição Nº 14765
Povoados dos pés-inchados
Nelson Bandeira
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