Se você olhar o porte e o perfil do pescador, sem sombra de dúvidas ficará convencido de que tudo que conta de suas aventuras nesse esporte seja verdade. Ou mentira, dependendo da interpretação de cada um.
Mas, pela seguridade vocabular do “historiador” como pescador de lambari, só resta admitir que o homem é obcecado por pescaria e que a saliência de seu bigode faz ainda confirmar que a estória tem fundamento, sem contar com o charme de seu cigarro inseparável.
Vejamos: o notável pescador saiu para certo lago, ainda no município de Imperatriz, e se deparou com um jacaré-açu, medindo aproximadamente uns três metros de comprimento e pesando calculadamente uns trezentos quilos.
Certo que, em companhia de amigo, matou o bicho para puderem navegar no grande lago, evitando assim ser atacado pelo voraz inimigo assustador.
Como o animal é carnívoro, aceita tudo. Os diletos pescadores abriram a barriga do jacaré e, para sua surpresa, encontraram no estômago do bicho duas capivaras e um motor tipo rabeta. Meu Deus, que perigo esses aventureiros não passaram!
Sanado o problema com o jacaré-açu, o hábil pescador voltou a pescar artesanalmente, com sua varinha de bambu, linha fina, anzol mosquitinho, usando isca de minhocaçu, bastante apreciada por várias espécies de peixes nessa região de água doce.
Arremessou sua linha, e em dado momento um mandi cabeça de ferro correu em sua linha. Deu-lhe uma ferrada bruta, jogando o peixe pra trás, que se desprendeu do anzol, caindo numa área de capim rasteiro.
Virando-se rapidamente, correu para buscar o peixe, mas ao se aproximar, a refeição saiu em disparada. “Uai!”, exclamou o pescador. Não se conteve, correu atrás para verificar essa anormalidade... Resultado: o mandi, quando se desprendeu do anzol, caiu no lombo de um preá do reino, enfiando um de seus esporões nesse pequeno mamífero roedor, que saiu correndo com o peixe nas costas até ser capturado. O que o peixe urbano não faz!
Bem disse Adriano Garcia na sua concepção sobre pescaria: “Pescador no rio/minhoca no anzol/peixe na terra”.
O homem é um lendário, e com certeza ainda vai ter mais estórias para contar, degustando o seu inseparável cigarro.
Que belezura essa frase: “O poeta mente, e é mentindo que ele faz florescer sentidos verdadeiros em corações mentirosos...” (Samuel Attila).
Aí mente!!! Cruz Credo!
O pescador, não se conformando com o que tinha contado, emendou essa: disse que encontrou num pedregulho perto de Marabá (PA) uma boiuna que só sua bosta era do tamanho de um botijão de gás.
Ó Senhor e Meu Deus, protegei a nossa nunca vista Mãe d’água! Quando você notar que o bigode está dando aquelas contrações para direita e esquerda e pra cima, pode duvidar que tenha tapeação na linha.
Edição Nº 14256
O NOTÁVEL PESCADOR
Nelson Bandeira
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