Tempos atrás, ouvimos certas estórias que só contando para crer, e o autor do conto assegura sua veracidade.
Naquela época, no interior, não tinha profissional formado em Odontologia e os casos eram tratados pelos dentistas práticos, para sorte de uns e a desgraça de outros.
Os práticos também trabalhavam com próteses (dentaduras do formato de uma boca de sapo), para substituir os dentes arrancados por eles próprios, sem pena nem piedade do cliente. Quando terminavam os serviços, a boca do sujeito ficava igual a uma couve-flor.
Em muitos casos, o casal usava a mesma dentadura.
Pois bem, ouçam essa: um cidadão depara-se com uma velhinha e pergunta se ela não queria comer uma merenda. Ela disse que não, agradecendo a gentileza do cavalheiro. Não se conformando, ele quis saber o motivo da recusa. Ela disse que naquele instante era a vez do seu velho estar usando a dentadura. Que beleza de solidariedade!
Como no interiorzão tudo é possível, um camarada meio esfomeado comeu uma pratada de arroz misturado com feijão três cordas, daquele que o caroço é do tamanho de uma fava. Com a gulodice toda, terminou engolindo a sua perereca.
Mais tarde, deu-lhe uma dor de barriga daquelas brabas e com muita cólica, igual menstruação. Correu para o banheiro, botou muita força e não saiu nada; mas sentiu um objeto atravessado no orifício no final do intestino grosso.
Gritou por amigo seu para dar uma observada e saber que objeto estranho era aquele; quando o observador olhou bem a situação, falou: “Esse caso é de hospital”.
Questionando em seguida o que só ele viu: “Parece que um menino quer sair, e já está bem crescido, com os dentinhos de fora”.
Chegando apavorado no hospital, o médico examinou e disse logo: “Procure um dentista prático, isso foge de minha competência”.
Assim ele foi. O prático o colocou de cabeça pra baixo numa cadeira de dentista para detectar que mistério era aquele.
Olhou bem, botou sua lupa de aumento e sentenciou: “É uma perereca, como que ela veio parar aqui?”. O paciente respondeu ter engolido quando comia a pratada de feijão. O velho prático comentou: “Essa fome que você sentiu foi de lascar”.
Preparado para resolver certos problemas, alguns deles muito complicados, apanhou um truques, bico tipo arco de pua, apertou a perereca e puxou, foi um grito só... Aí, meu Deus!
Finalmente, o paciente pagou pelo trabalho para o doutor dentista, conversando: “Quase eu perco de vez minha perereca. De agora em diante, vou ter o máximo de cuidado”.
Higienicamente, muito precavido com seus acessórios de uso pessoal.
Edição Nº 14338
O caso foi para dentista prático
Nelson Bandeira
Comentários