Nelson Bandeira

A gente vai andando no tablado da vida, sempre a observar o andar e o comportamento das pessoas.
Caminhando para exercitar o corpo e a mente, lá pras bandas do Aeroporto, na aurora da sinfonia dos pássaros, me deparo com um personagem bem falador daquilo que vê e do que não vê.
Com isso, analiso intimamente falando: "Esse cara é um Gregório de Matos!". Língua solta mexe com as estruturas morais e a tolerância, ao ponto de encontrar um casal caminhando de mãos dadas e de vez em quando um cheiro para dizer "nós nos amamos". Embora hipoteticamente.
Aí, como observador e crítico, o distinto sai com essa: "O amor é lindo! Triste é o futuro". Perguntei por quê? Respondendo que tão logo o homem conhece bem a mulher, abandona toda essa excitação. Isso é como febre de sarampo, tem um período de incubação. Logo logo, você vai ver um fazendo biquinho menosprezativo para o outro.
Pois é. Certo estava Nelson Rodrigues: "Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata".
Como o tempo é o mensageiro dos desafortunados, o casal caminhante já passou separado e a dona autarquia já com um semblante de que a coisa não era como antes - como o capeta sempre contextualizou no mundo amoroso: "Bastou uma mulher para destruir o paraíso".
Mas, temporalmente, o conselho de Oscar Wilde: "Um homem pode viver feliz com qualquer mulher desde que não a ame".
Diante da oferta e da procura, o sentido da frase é um santo remédio afrodisíaco para aqueles que não têm mais apetite de núpcias.
A vida é fácil... Nós que complicamos...