Referendamos nossos apreços, nossa admiração, aos pregadores da Palavra de Deus nas santas missas e nos cultos de fé.
Os padres por terem uma formação em Teologia, Sociologia e Psicologia; os pastores evangélicos, quase todos, também, com especialização para suas pregações da doutrina cristã.
Mas nem todos são santos espirituais – muitas vezes perdem as estribeiras, fazem e cometem arbitrariedades iguais a qualquer profano.
Por exemplo: um padre daqui de nossa matriz, há muito tempo, quando morava no seu próprio convento, onde é a Ciretran hoje, bateu tanto numa vaca que o animal se viu acuado e entrou no seu quarto adentro, rasgando sua rede de dormir.
O digníssimo padre, de origem italiana, ficou vermelho igual a pescoço de peru, de tanta raiva, levando a rede até o dono da vaca, próximo onde morava, para ser ressarcido do prejuízo.
O proprietário do animal, pacientemente, concordou com o respeitado padre; apenas, pediu uma explicaçãozinha: “Como que o presbítero deitou a vaca dentro da rede?”. Ah!, meu amigo, o vigário jogou a rede lá e saiu bufando de raiva.
Outro caso foi no município de João Lisboa. O vigário todo dia varria o pátio da igreja, que se encontrava sempre sujo de fezes de uma jumentinha que gostava de passar a noite no local sagrado, talvez pelo aroma do incenso.
O religioso sempre conversava com a bichinha, recomendando para não fazer mais aquilo, dando uns puxões de orelha e umas ripadas no traseiro da safada.
Certo que o sacerdote perdeu o juízo, aplicando-lhe na cabeça uma cacetada com uma mão de pilão. Não teve escapatória. “Vá fazer cocô no inferno”. Recomendações ditas ao corpo fatalizado.
Todos eles já bateram suas espoletas e estão em outras prelazias do oriente eterno; ficaram impunes porque naqueles tempos não tinha Ibama ou outra instituição protetora dos animais.
Há certos momentos em que suas santidades também perdem a razão da espiritualidade. É a mesma coisa de alguém levar menino de colo para missa de adulto. Quando começa a chorar, padre não sabe se celebra ou morde a língua, pai d’égua da vida.
Edição Nº 14362
Nem todos são santos
Nelson Bandeira
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