Nelson Bandeira
Os fanáticos por esportes, especialmente os esportes amadores, que a idade extrapola o limite recomendável, e sendo tratados como peladeiros de finais-de-semana, ou seja, a melhor idade, para não chamarmos de idosos.
Observa-se que eles não têm mais pique, já com o corpo fragilizado pelo tempo, e de contrapeso carregam ainda uma barriga parecidíssima com aqueles potes tamanho família.
Mas vale a pena o sacrifício de correr em cima de um campo de futebol bem verdinho, como o do DNER, articulando a todo custo e chutando aquela bola de couro sintético – tudo em benefício da forma e da saúde.
As malharias já têm sua freguesia e não se preocupam com número e nem tamanho do uniforme, todos são GG, para deixar tudo folgado e para evitar um vexame qualquer.
Esse Charles Miller é considerado mesmo o “pai” do futebol, outorgando à juventude, aos profissionais da bola, aos aposentados, os de melhor idade e idosos, o direito de deleitar-se dessa atividade esportiva – embora sujeito a uma torção, uma dor no espinhaço e até mesmo uma bursite nas articulações do corpo.
Quando é agora vêm notícias da apoquentação, de desinquietação, com a futura construção de um prédio público em cima do campo. Aí, com certeza a depressão de muitos virá à tona para conviver com esse desassossego prematuro.
Como é uma situação de desconforto para essa plêiade de atletas que participam há muitos anos e comungando solidariamente... São pessoas tarimbadas, independentes, comportamentos próprios, que encontraram outra solução.
Caso oposto, é aconselhável adquirir lotes de terras e adubá-las e prepará-las para criar minhocas e ir para o rio Tocantins pescar... Por sinal, é um esporte agradabilíssimo, praticado na sombra, degustando o que for necessário – evitando, assim, de levar um chute na canela.
Se acontecer, com certeza que vocês sentirão saudade da palavra do técnico e decano professor: “Olha equipe: quem tem a bola ataca; quem não tem defende”.
É como diz o velho adágio popular: “O diabo quando não vem manda o secretário”.
Edição Nº 14795
Nem os idosos peladeiros têm sossego
Nelson Bandeira
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