Nelson Bandeira
Tudo naquela época se praticava. Queimava-se bem a Cannabis sativa (maconha), isso pelos idos de 1960, meramente com traços de personalidade, para deixá-los ativos, alegres, desinibidos, provocador sexual, mas sem o objetivo de se tornar totalmente dependente desse malefício.
A fonte da matéria-prima para compor o cigarro e encher o cachimbo era a produção indígena, de aldeias localizadas no eixo de Montes Altos e Amarante, no Maranhão.
Quantas e quantas vezes se deparavam com caminhão de carroceria cheia de bicicletas velhas para serem trocadas pela erva maldita e ser vendida para os seus respectivos consumidores isolados.
Como aqui na terrinha, com exceção das praias do rio Tocantins, no final de semana não tinha outra diversão, a rapaziada acendia seu charuto e mandava fumaça pro ar.
Naqueles tempos, nem se falava e/ou comentava sobre riscos ambientais, todo processo era in natura. Só que o poder ativo da bicha é exorbitante. Quem já usou fala que é um abridor de apetite danado, o usuário come três chambaris cozidos e ainda fica com fome.
Consta que o uso exacerbado da diamba pode trazer certos incidentes. Certa vez, conta-se, houve uma poluição de fumaça no ar ao ponto de urubus-de-cabeça-preta cair tontos, totalmente entorpecidos pelos gases poluentes na atmosfera.
Não se tinha especialista para diagnosticar a causa. Mas a auditada em farmácias dava logo o seu diagnóstico, que os urubus estavam endiambados e só depois do efeito maldito eles voltariam a voar.
Tudo feito sem maldade. Tem o lado negativo do seu uso, como também tem o positivo - para curar depressão, enxaqueca, glaucoma, esclerose múltipla, TPM e ansiedade.
E esses consumidores têm uma fonte inspiradora quando fazem seu arremate a um preposto. Como essa: “O que mata é a falta”; “Aperta quem pode”; “Acende quem tem isqueiro”; “Nem vem de isqueiro que hoje é dia de maçarico”.
“O tabaco faz mal, o álcool faz mal, a maconha faz mal... Mas eu não estou fazendo mal a ninguém a não ser a mim mesmo”. (Cazuza)
Edição Nº 14754
Naquela época queimavam bem
Nelson Bandeira
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