Nelson Bandeira
É assegurado o direito a qualquer pessoa de se manifestar, buscar e receber ideias e informações de todos os tipos. Embora as palavras que saem da boca daquele transeunte sejam chulas. O direito de falar, de perguntar, ou seja, é a liberdade de expressão.
Em Gramática, em Retórica, ocorre hipérbole quando há exagero numa ideia expressa de forma dramática. “Estou com muita dor de barriga. O que faço?”. Foi o que ouvi de um passageiro no voo de São Luís a Imperatriz, falando para sua companheira.
Como é uma figura de linguagem que consiste em exagerar as coisas que momentaneamente ocorrem, um casal de pouca cultura, de conhecimento sem profundidade sobre determinado assunto, o qual chamamos de leigo.
Hoje a facilidade em viajar de avião proporcionou condições para todas as classes sociais, indistintamente, com promoções oferecidas no mercado da aviação.
Num voo que fiz de São Luís a Imperatriz, via Gol, vinha um casal já com uma idade com mais de 60 anos e, coincidentemente, sentei-me na mesma fileira de poltronas, na cadeira “d” corredor.
O avião decolou, o casal viajante, com características de primeira viagem, ficou espantado e admirado com aquele bicho de asas no ar. O velho falou para a companheira: “Parece uma aurubu branca”. Pasmem! Mas sem gozação.
Em dado momento, o ancião bateu com a mão na barriga dizendo que estava com muita dor. Pensei logo: “Se soltar um pum aqui dentro, vai lascar tudo, pois pode ser ruidoso ou não e tem um cheiro fétido e insuportável”.
Para prevenir um mal maior, abri minha pasta, apanhei um comprimido de imosec para ele tomar.
Por que fiz isso? Ele perguntou para sua velha se no avião tinha sintina. Deduzi que a situação era indigesta naquele momento. Para ajudar, falei que tinha mictório. Melhor dizendo que não era pinico nem privada!
Esclareci a ele que o mictório é próprio para o ato de urinar, para ficar bem claro e seu entendimento a grosso modo.
Então questionei, e preocupado, perguntei para aonde iria o casal. Disse-me que para Brasília, visitar sua filha que mora lá, de quem haviam ganho as passagens.
O diabo é que o homem de idade e respeito, antes de ir para o aeroporto, comeu ao redor do Mercado Central de São Luís, próximo aonde mora, um sarapatel de porco, com azeite de coco babaçu. Resultado: é que o p... é o grito de liberdade da merda. Tudo anunciado para acontecer com aquele passageiro.
Mas, graças ao voo ser curto de São Luís a Imperatriz, não aconteceu o pior; não sabemos o restante do trecho, de Imperatriz a Brasília. Pelo primeiro ensaio, tudo pode ter acontecido.
As aeromoças, muito distintas por ter entendido o modo caipira e matuto daquele casal de passageiros, foram oferecer um suco - se queriam de manga ou goiaba. Pedi que dessem de goiaba para trancar a porteira de saída. Manga nem pensar!
A liberdade de expressão é o usufruto de todos, sabendo que aquele que conhece a arte de viver consegue ignorar o aborrecimento.
Edição Nº 14840
A liberdade de expressão
Nelson Bandeira
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