Nelson Bandeira
O engano do sentido é prejuízo pessoal, ao ponto de levá-lo ao desespero por aquilo que a façanha do destino não conseguiu alcançar na preciosa caçada do tesouro perdido debaixo do solo brasileiro. E o marcou como uma mera ilusão, quando à cata de metais e pedras de grandes valores, como uma mera ilusão de um verdadeiro "faiscador".
O tempo foi-se embora e o resto está urgindo dia-a-dia - o desequilíbrio financeiro acentuou-se com o que restava, sumindo num saco sem fundo; as consequências familiares foram se aflorando ao ponto de romper com o matrimônio ou mesmo o ajuntamento acasalado anos e anos.
O que os sonhadores de ilusões ganharam nessa empreitada? Foram infectados por várias doenças, como leishmanioses espalhadas pelas partes íntimas do corpo; malária das brabas, seguidas de hepatites. Ou seja, um verdadeiro prejuízo para a saúde pública, tratando desses males adquiridos pela incontida ambição.
Agora está aí. Com um bucho parecidíssimo com o de um baiacuzinho, amarelo como um açafrão. Morto-vivo, que só rabo de ovelha arreada, com aquele nariz de "nó de péia". Sem perspectiva para mais nada na vida.
E os adeptos dessa mesma façanha continuam se reunindo debaixo de sombra de mangueiras, alimentando a esperança... Agora a coisa vai acontecer... O ouro está brotando e os irmãos garimpeiros vão receber suas merrequinhas que só o diabo sabe quando vai pagar.
A realidade nua e crua. Com esses faiscadores de ilusões, mesmo como o resultado óbvio, criou-se um problema social alarmante, com a família jogada a Deus dará, sem condição de sobrevivência, e o varão deitado numa tipoia, nutrindo as doenças adquiridas naquele belo buraco que se transformou num grande lago profundo, para enfeitamento daquela cobiçada serra, e tantos outros com a mesma dosagem de desolação pessoal atípica dos ilustres sonhadores.
Para ilustrar o texto: "O garimpo é o filho da ilusão. E o ouro, o pai da desilusão".
Continuem sonhando!
Edição Nº 14500
A ilusão do garimpo
Nelson Bandeira
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