Pelas barbas do profeta. O pobre do capataz escolheu uma morena alimentada com chibé de bacaba, açaí e buriti, de pele parecidíssima com casca de romã amadurecida. Com um corpo modelar de chamar atenção e do olhar de qualquer marmanjo, com aqueles seus “zói” de gato, foi que perturbou a sensibilidade do fazendeiro em conquistá-la.
A felicidade plena do vaqueiro foi que ele não teve, durante seu ajuntamento, nenhum bacurizinho com sua amada concubina. Ficando livre de pagar uma pensão alimentícia, além de perder sua companheira para o fazendeiro, que a comia com os olhos e desejava descaradamente aquele pedaço de mulher.
O fazendeiro chamava seu vaqueiro de Zé Bisteca. Então, ele preparou com muita astúcia ciladas para conquistar aquela morena com o cheiro de relva. O mandatário da propriedade era louco por caçada e sua caça preferida era o tatu.
Muitas das vezes caçava com o Zé Bisteca e em outras ocasiões mandava seu operário esperar e matar um desses mamíferos para degustar no habitat de sua fazenda.
A sua vontade traduzia o desejo sempre de comer um tatu na sua fazenda. Isso aconteceu muito, e o pobre-besta do vaqueiro saía pegando chuva e sereno para caçar e satisfazer seu chefe, por ironia do destino.
Mas o golpe fatal foi quando o fazendeiro chegou à fazenda trazendo uns três quilos de castanhas-do-pará e falando para o Zé Bisteca: “Amanhã tenho que comer um tatu-mulita”. E mandou o traído matar o bicho para comer com seus amigos que chegariam no dia seguinte.
Obediente que só ajudante de missa, o vaqueiro olhou para sua cobiçada e entrou de mata a dentro à procura daquele animal cuja origem do nome é tupi.
Quando voltou da caçada com o animal abatido, encontrou sua concubina mais desmilinguida do que febre de sezão dada nas primeiras águas.
Como o fazendeiro tinha duas fazendas lá pras bandas do Parazão, chamou o Zé Bisteca e disse que estava o transferindo para a outra propriedade, falando ainda que sua concubina não servia para ele, portanto ela ia ficar para tomar conta do rancho. O que o desejo não faz.
“Sim senhor, que dia é para ir?”. “O mais breve possível. Inclusive, você vai ter uma melhora no seu salário”. “Puxa!”, consulta o capataz, coçando a cabeça. “Eu não entendo como o senhor pode ser tão experto com uma tarefa dessas!”. “É a vida do campo, Zé Bisteca!”.
Como existem dois tipos de concubinas, a cara-metade e a metade da cara, é certo que o vaqueiro perdeu seu cobertor de orelha para o fazendeiro.
Edição Nº 14304
Fazendeiro toma mulher de vaqueiro
Nelson Bandeira
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