Nelson Bandeira

É um armazenamento de colheita de ideias.
Olha só essa estória. Dois resignados feirantes começaram a contar uma cena que, se não for hilariante, pelo menos para eles um dia sem rir é um dia jogado fora e com pouca lucratividade.
Um diz para o outro: “Comprei uma geladeira de um vendedor ambulante. Dei um sinal como entrada e nunca mais paguei o resto do débito”.
O vendedor incansavelmente cobrando e nada de receber... Chegando ao ponto de perguntar se na família do devedor não tinha alguém para lhe ajudar saldar essa conta.
Nesse ínterim, se faz presente um presbítero muito contrito com a oitiva do vendedor e comprador do objeto. Quando o que deve lhe responde: “Meu amigo, só tenho uma irmã que é freira e vive somente para o convento”.
O presbítero não se conteve com o vai-e-vem dessa novela. Fala para o devedor: “Ela sendo freira é esposa de Jesus”.
O comprador já pê da vida, em cima da fivela contrapôs: “Então, leva essa conta para o meu cunhado pagar!”.
O vendedor zangado, enfezado, ficou falando sozinho: “Se eu soubesse onde esse peste morava, ia agora mesmo!”.
Como o esquecimento é um dom concedido por Deus aos devedores, não resta em nada esperar a boa vontade desses abençoados.
Fiado é igual barba: se não cortar, cresce.