Nelson Bandeira
O destino conduz a vida de acordo com uma ordem natural, da qual nada que existe pode escapar.
Todavia, ainda, tem o Carma para expressar um conjunto de ações dos homens e suas consequências.
Diante dessa viagem que fazemos num passado bem distante, onde tudo que era feito era confiável e se depositava toda segurança nos compromissos assumidos, mesmo que aleatoriamente.
Nesse contexto, o trabalhador de "roça" que fazia o plantio de arroz, milho, mandioca e abóbora, para o sustento familiar, tinha a garantia como regra de sustentação.
Esses trabalhadores não tinham leitura, eram analfabetos mesmo, não sabiam nem ler nem escrever. Mas, em contrapartida, honravam os compromissos de venda de seus produtos colhidos nas roças.
Tudo que produzia vendia para quem tinha dinheiro. Os produtos na "folha", ou seja, ia plantar para depois colher e entregar aos respectivos compradores.
Certo que um pequeno agricultor negociou o plantio de sua terra. Sendo parte de arroz, outra de milho, mandioca e abóbora. Terra fértil. Clima agradabilíssimo, tudo frutificado e com o resultado prometido.
Só que o rústico roceiro não contava com os inimigos que rondavam sua plantação: chico preto, macaco, peba e outros animais semelhantes e atentados.
E o pior é que o rude operário recebeu o dinheiro para posterior entrega dos produtos vendidos - só que os 'nocivos' animais comeram e devoraram tudo, ficando o pequeno trabalhador rural sem ação para justificar o prejuízo.
Mas não se conteve. Foi ao seu "cumpade" comprador dizendo: "Infelizmente, os chicos pretos, os macacos, pebas e guaxinins, acabaram com tudo que foi plantação". E resolveu vender suas terrinhas localizadas no povoado para a Prefeitura do Município, para fazer um "sumitero" e com o dinheiro da venda pagar o "cumpade".
"Uma coisa é certa, cumpade. Pela quantidade de pebas existentes, não vai sobrar nem as madeiras do caixão... Mas está enterrada, deixa pra lá... Quero é pagar sua conta", filosofou, desolado.
Como o Carma de uma pessoa se transforma num presságio, numa predição, num mau agouro!... É realmente o oposto do lucro.
Ainda bem que esse tipo de trabalho não existe mais. Hoje tem tantas bolsas ofertadas pelo governo, para eles ficarem deitados, jogando baralho, dominó, bebendo cachaça e pronto.
Que Brasil bondoso! Foi um santo remédio para acabar com as pragas nocivas. E os maus logrados animais.
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