Nelson Bandeira

Andando pelas cercanias da feira do Mercadinho, me deparo e passo a ouvir atentamente uma estória de um homem que, pelo visto, é puro e de pouca leitura.
A sua conversa rolava em torno da dificuldade econômica menos sofrível para o momento atual, mas com prescrição nada animadora para o futuro que advém.
A preocupação momentânea deste homem, talvez sem maldade e sem leitura, versava sobre o destino dos seus filhos. Por isso, estava fazendo tudo que era possível pelos estudos deles, para não ficar como o pai, cego culturalmente.
Há de se pensar que pessoas deste naipe tenham um raciocínio lógico sobre a formação de suas crias, preparando-lhes nas escolas e nas faculdades para os desafios que irão enfrentar.
Então, ele contava para seu interlocutor: "Olha os meus filhos! A herança que tenho e que vou deixar como lembrança e não como instrumentos de trabalho são duas cangalhas, dois jacás, e duas éguas já bastante surradas, como o seu próprio dono. E não desejo que usufruam desses objetos para suas sobrevivências, não!".
Com toda sua simplicidade de homem rude, mostrava para seu confidente as mãos calosas das rédeas dos animais e a face tostada pelo sol escaldante do dia a dia, para o sustento de sua família.
Analisamos e observamos, no mesmo espaço de tempo, que o verdadeiro valor do homem está no seu caráter - se ouviu as palavras de um homem sem vaidade, simples, sem leitura, mas com suas ideias e a nobreza de seu ideal.
Para o acabamento do texto em tela, se fita na pureza do homem cego culturalmente. Mas, empiricamente, com uma visão holística de futuro.
O perigo ocorre quando o homem, sem saber, vive inquieto por ser um ignorante. E em certos momentos da vida, ele pode tornar-se violento diante de uma situação sem esperança para os seus subordinados, já que ele pensa grande para o futuro deles.
Bem disse Marcos Aurélio: "Não desperdice mais nenhum tempo discutindo como um bom homem deveria ser. Seja um".