Nelson Bandeira

Na verdade tem muita gente mudando o rumo da profissão ou conciliando-se com outra. Especialmente, quando tem um pedaço de terra e um riacho por perto, vira logo um piscicultor, até porque em médio prazo estará produzindo várias espécies de peixes confinados.
Trazendo assim, uma renda extra mais acertada e sem perspectiva de prejuízo, bastando somente acompanhar de perto as atividades de manutenção dos tanques e da alimentação dentro dos horários estabelecidos.
Mas, nem tudo são flores. Uma ou outra vez acontece o imprevisto da natureza, fugindo do sistema de informação do criador. Por exemplo, a aparição de socós-bois, um hóspede muito faminto e indesejável para o piscicultor.
Olha só o prato que o socó-boi gosta de engolir: peixes. Mas também não quer saber, vai molusco e anfíbios também. Deu sopa vai para o bucho.
Foi o que aconteceu com um amigo nosso, muito chegado a essas ações naturais que lhes são impostas: certa vez deu uma pisa num macaco que criava. O apanhado foi atrás de seus comparsas e passaram a derribar todas as mangas (de mesas) da mangueira que o dono estava preparando para vender quando os frutos estivessem amadurecendo.
Quem apanha não esquece... Bote raiva nisso!
Agora, aprontou dois tanques com água suficiente, povoou os mesmos com vários tipos de alevinos, marcando no seu calendário a data certa para despescar; só que no entretempo, foi notando a escassez desses animais na água, passando assim a investigar o caso.
Resultado: descobriu que dois socós-bois comeram todos os alevinos, saindo essas aves ao anoitecer com o papo cheio, igual ao saco de Papai Noel em época de Natal.
Conclusão: Não pôde fazer nada; não podia matar os bichos, é crime; assumiu o prejuízo e abandonou a profissão de piscicultor.
Como diz aquele velho adágio popular: "Atrás do pobre corre um bicho".
Mas, o profissional tem origens amazônicas, portanto, se espelha muito em provérbios: "Os justos olha pela vida dos seus animais".