Nelson Bandeira
A frase pode até não ter ressonância e talvez não seja tão determinada assim, mas aquele momento nupcial é conduzido pelo calor do amor, daquela luz enriquecedora nas horas escuras das dificuldades. Onde sempre afirmam... E será os dois uma só carne. Tudo acontece no altar!
No passado tradicionalista, os costumes eram todos diferentes, tanto do homem como da mulher - especialmente.
O homem usava cueca samba-canção. Hoje, cueca polo; outras de estilos sedutores. A mulher usava anágua no lugar de camisola; hoje, lingerie com suntuosas provocações - só para dar ênfase ao texto.
O homem é mais tímido; a mulher cada dia que passa é mais convencida da espúria vaidade. No passado não tão distante, suas vestes íntimas eram bem protegidas e asseguravam ao corpo a dificuldade para o tarado lhe tocar.
Além do vestido, tinha uma anágua como suporte e uma calcinha com doze botões de osso puro, cravados nas suas laterais. O cofre do prazer tirava os desejos do tempo.
Hoje, esses selos de proteção não existem mais e o malandro já sai atacando.
E o passado reclamando. Na minha época não era assim. E não era mesmo, não. Se fosse, a sociedade estava travada, não acompanhava a modernidade do tempo.
Como bem disse Chico Buarque: "Menino quando morre vira anjo; Mulher vira flor no céu; Malandro quando morre vira samba".
E o passado ainda não se conscientizando: "Até que a morte os separe...". Hoje, isso é simplesmente simbólico, como sempre foi, com uma exceção mínima de esperança. Para separar no século vigente, basta fazer um bico um para o outro. Os bicudos venenosos!
E a discussão continuou... Lá o velho oriundo da antiga sai com essa: "Discordo de que tudo tenha mudado. Quer ver? Penicilina, Emulsão Scott, Elixir Paregórico, Biotônico Fontoura, Água Inglesa, Aguardente Alemã, até hoje, disponíveis a todos nós para curar as doenças costumeiras".
E aí?! Tudo bem, cada época tem seus hábitos e costumes, resta saber em que tempo você se refere. Evoluímos a cada dia. O modo dito que se usa no casamento até hoje, mas a morte foi para as cucuias há muito tempo.
Nisso, o questionador de hábitos e costumes pergunta para o provinciano:
- Você que defende o passado me responda: Na sua casa tem um pilão de madeira com sua mão para pilar arroz?
- Se não tem mais roça, como diabo tu queres que eu tenha um pilão?
- É para provar que o tempo mudou; só você que ainda não mudou. Acorda homem!
Esse Mercadinho é uma biblioteca pública! Vive dia e noite com o túnel do tempo. Dizem que o homem é um animal de costumes.
Comentários