Nelson Bandeira
Quem diria! Estava num final de semana sem perspectiva do que fazer, afinal aqui na terrinha as opções são poucas.
Não é que recebo um telefonema de um amigo me convidando para ir pescar no rio Tocantins, num determinado local, onde foi feita uma ceva para piau. Tudo bem, aceitei o convite.
Perguntei o que deveria levar para servir de isca. Respondeu que levasse uma abóbora. Abóbora?! Fiquei a matutar: "Será que até os peixes estão mudando de cardápio?".
No lugar de se alimentar de comida composta de gorduras, proteínas, hidratos de carbono, vitaminas e minerais, estão agora consumindo ácido graxo, fibras e potássio.
A cadeia ambiental está em oscilação para se manter e conservar a reprodução da espécie, se alimentando com produtos que não fazem parte de seu habitat natural.
Chegando para embarcar, o amigo que formulou o convite desce ladeira abaixo com um saco de estopa cheio de abóboras, como se fosse alimentar porco. Na verdade, era para peixes mesmo.
Já no pesqueiro, começou a triturar as abóboras e jogar no rio para chamar os piaus. Não é que os mesmos começaram a chegar, fazendo movimento de suas presenças no local designado?
Caniços preparados com isca de abóbora. Logo em seguida, o amigo pescador mostra a prova dos nove, iscando um piau de bom tamanho... Só que era piau-vara, e não o cabeça gorda, para ficar bem entendido.
Num período de três horas, pescou mais de trinta desses; na verdade, é um dos melhores nesse esporte.
Na minha linha, os peixes não quiseram beliscar muito não. Pesquei somente uma rainha das águas do rio Tocantins, um pacu de tamanho médio, já apropriado para um cozido.
Como diz o velho provérbio: "Nem só de pão vive o homem". Como também, "nem só da vegetação vivem os peixes".
Hoje, abóbora não só serve para cozidão e maria-isabel... Também para alimentação de peixes... Daqui a pouco esses animais vão querer comer "camarão na moranga", para o deleite dos pescadores.
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