Quem chega ao Memorial Bumba-meu-boi, em Sobradinho, encontra, em meio a tonéis que estampam figuras típicas do folclore brasileiro, um carismático senhor sentado em um banquinho na porta de um barracão. Com um chapéu decorado por tecidos rubro-negros, ele se protege do sol, enquanto assiste a uma partida de futebol, sua segunda paixão, no campo que também funciona no local.
Seu Teodoro Freire, maranhense de São Vicente de Férrer, é o criador do Centro de Tradições Populares de Sobradinho. Servidor aposentado da Universidade de Brasília, chegou na capital em 1961. Flamenguista no futebol e mangueirense no Carnaval, esse senhor de 88 anos é mestre do ritmo tambor de crioula e defensor do popular folguedo Bumba-meu-boi no espaço cultural que coordena há 45 anos.

“Quando eu fui para o Rio de Janeiro em 1953, senti muita falta da cultura maranhense e foi para lá que levei, inicialmente, o movimento Bumba-meu-boi”, conta. Saudoso da época de fundação do grupo folclórico, seu Teodoro foge à ideia de brasileiro de memória curta para a política e recorda, com clareza, os representantes que incentivaram a criação do movimento cultural. “Aqueles eram outros tempos. Na época, Juscelino era o presidente do Brasil e Fernando Andrade, nosso ministro da Educação Nacional.
O espaço cultural que fica sob os cuidados da comunidade que reside no local, é aberto durante toda a semana. Lá se realizam os ensaios do grupo folclórico e ficam expostos, além das peças e instrumentos que servem às duas apresentações anuais da saga do boi (batismo e morte-ressurreição), obras do artista Toninho de Souza, famoso pelas pinturas de araras em espaços públicos do DF.