Quase oito meses depois, cinco cidades no país voltam às urnas neste domingo. Eleitores de Cananeia e General Salgado (SP), Primavera e Santa Maria da Boa Vista (PE) e Simões (PI) terão de escolher, novamente, os mandatários municipais porque os prefeitos eleitos tiveram a candidatura impugnada por força da Lei da Ficha Limpa ou foram cassados por abuso do poder econômico e compra de votos. Tem gosto pra tudo, no angu dos então eleitos: quem disputou com recurso, depois negado; outro que foi demitido do serviço público via processo administrativo; e até (o que deveria ocorrer com a ampla maioria) um que foi cassado sob a acusação de ter se beneficiado com a compra de votos e no manjar da corrupção que encerra a sobremesa, o segundo colocado resultou impedido de assumir, enquadrado que fora na lei da Ficha Limpa. Não deixou de faltar quem foi cassado por rejeição de contas a até quem concorreu a um terceiro mandato. O que se vê, então, é a eleição de muita gente que nem deveria ter sido candidato. Para se ter uma ideia, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam a ocorrência de eleições já acontecidas em 27 cidades de 11 estados. Pior, em mais 13 municípios haverá novos pleitos nos meses de julho e agosto. É um absurdo que no país em que se apura resultados de uma complexidade continental como as eleições presidenciais em tempo recorde, a Justiça eleitoral não possua mecanismos para oferecer ao eleitorado a certeza da escolha.