Dia 13, segunda-feira, comemorou-se a assinatura da Lei Áurea, que completou 125 anos (1888). Em mais de um veículo, notícias ligaram a data como uma referência ao fim da escravidão. Nem é preciso fazer uma leitura mais acurada. Trata-se de um equívoco, como se uma assinatura ou decreto trouxesse em si a solução dos problemas. O cotidiano de cada indivíduo enquanto relacionamento/integração social mostra as contradições existentes e quão longe estamos do respeito à pluralidade. No Brasil, foram várias as leis adotadas pós-abolição até a promulgação da Constituição em 1988, que tornou crime a prática de racismo. Destarte, os avanços conquistados, desigualdades estão por todos os cantos. Pior, pode-se afirmar que a escravidão mudou seu perfil e chega a todos os cantos no mundo. Em Imperatriz, a exemplo, silenciosamente, famílias sofrem por falta de notícias de filhas que moram (ou moraram?) na Espanha e em Portugal. Uma questão tratada quase silenciosamente, limitada que é na consciência de quem amargura o problema. Ainda que aparente ser paliativa, merece aplausos a iniciativa da ONU que acaba de promover apelo à comunidade internacional visando intensificar esforços contra o tráfico de pessoas. Rico negócio, mundo afora, o tráfico movimenta cerca de 24 bilhões de euros e envolve mais de 2,4 milhões de pessoas por ano. Tráfico, significa dizer, é escravidão.